Se um dia vier a minha morte,
exatamente, se, talvez eu seja eterno.
Mas se um dia me chegar tal infelicidade
não quero ser velado como se posto em exposição,
o mínimo de pessoas devem ver minha face de morte.
Não quero flores nem caixão,
nem velas nem choro.
A última lembrança que tenham de mim,
seja de quando podia rir e cantar,
mesmo que desafinado, mas ainda assim, vivo.
Pior ainda é saber que, se for enterrado,
servirei de alimento aos vermes.
Não senhor, não quero nada disso!
Que meus órgãos sejam doados e meu corpo cremado,
conforme o meu desejo de moribundo.
Minhas cinzas enterradas, aos pés de uma macieira,
para servir de adubo aos frutos que tornar-se-ão
novas árvores, vidas.
Assim poderei ser útil, mesmo que morto,
mesmo se um dia elas morrerem.
Exatamente, se.
Talvez elas se tornem eternas.




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